Mostrar mensagens com a etiqueta Beijo - Pétala [writing]. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Beijo - Pétala [writing]. Mostrar todas as mensagens

27 setembro 2011

PaLHaÇo



À noite, as tintas derretem-se pela face
e assim pinto as lágrimas de amarelo, laranja, azul...
Ou até mesmo de prateado
quando o vento sopra lá fora.

Nascem-me rugas do grito disfarçado
em riso colado de vermelho e branco.

Aprendi a caminhar aos tropeções
sem saber onde ponho os pés.

Perpetuam-se aquelas linhas
que não se apagam mais
por mais que se remende o fato de palhaço.

Aprendi a ser o desastrado-mor
e a fazer rir os patrões.

O palhaço é burro,
O palhaço é cómico.
O palhaço não é ninguém.

Na verdade...
Sou tudo aquilo que vocês
têm vergonha de admitir.
Sou tudo aquilo que vocês 
pretendem esconder.

É tão mais fáci olhar o relógio e ir embora,
do que enfrentar um espelho pintado
da vossa condição humana.

a clown smile... ;o)

25 setembro 2011

Poeira



Um a um
foi empilhando os pedregulhos.

Um a um
fui esculpido
formas angulosamente redondas.
Umas côncavas de frases adulteradas
outras convexas de palavras sufocadas.

No fim,
arrastei-me para o canto da sala.
Atirei a cadeira contra a parede
e ri-me da madeira liberta.

Os pregos desenhavam tangentes no espaço.
As lascas geometrizavam o chão inseguro.

Trinca madeira
Madeira range
e liberta o odor
das pedras que não falam.

Esperei 3 dias e 3 noites
sentada no topo do meu castelo desfeito.
Esperei até ele ficar subterrâneo.

Depois,
escondi todos os pedregulhos dentro de um saco.
Atei-o com corda de cabelos
e untei-o de memórias vãs.

Agora,
posso finalmente atirar o saco pela janela
e a janela pela porta.

Agora,
posso finalmente gritar
poeira!

01 setembro 2011

do Outro Lado do Espelho







Hoje, tinha uma amiga do Outro Lado do Espelho.
Lambi os braços, aguentei o peso insconstante
em bicos de pés.
Ri, provei, engoli, toquei o meu ventre.
Deixei o peso dos braços fluir no topo
como se de penas se tratassem.
E o espelho liquefeito ela atravessou
para me abraçar.

[escrito num dia qualquer]

13 março 2009

O quarto negro


Peixes voam no espaço...
Na gaveta guardo o fruto
que não provei.
Um pássaro nocturno
vem de encontro à janela,
estilhaça o vidro,
rasga a memória.
Ervas daninhas
nascem debaixo da cama
e na almofada
crescem teias de aranha.
Os sonhos emaranham-se
nas noites geladas,
a música escorrega nos dedos,
areia cobre o ar.

Silêncio - o vazio de tudo...
Sono - adormecimento do futuro...

Poema que escrevi Algures no Tempo
e que neste uniVerso, a Sara leu.

10 fevereiro 2009

Palco de pedra



Crescem na noite
partículas de musgo opiácio
e ventos de fumo azulado
cobrem-lhe os braços.

De folhas caídas se vestiram
de frutos secos se alimentaram
e, ao som da água,
libelinhas dançaram.

Os ramos erguem o paraíso,
pássaros movem-se nos arbustos
e, nos cabelos dourados,
pétalas e areia se entrelaçam.

No palco de pedra encenaram
a peça da vida e do sonho
e, no vento agreste,
tintas de algodão pintaram um olho.

Silenciosos,
contemplaram o repuxo de cores
na fresta azul do céu.

Deitaram-se no musgo
húmido de gotas de chuva
e cogumelos imaginários.

A Terra riu e chorou,
as nuvens desenharam imagens
e o arco-íris de fechou
para mais uma longa viagem...


Poema que escrevi em 2002 em Ovar

11 janeiro 2009

Comboio-fantasma


Nua,
flutua nas águas
transparentes...

A areia acaricia as pernas
numa despedida...

A lua pinta no céu
- bolacha amarela
deserta de estrelas...

E,
sozinha na estação
espera o comboio-fantasma...

Um morango cresce
no ácido sulfúrico da cidade...

Uma flor chora
no cinzento dos carris...

E,
a saliva escorre
nas heras das janelas
partidas...


Poema que escrevi em 2001
numa estação de comboios